MichelAngeloNow
Cassandra’s Secret - O Segredo de Cassandra on Flickr.English:
The making of the drawing in less than five minutes was witnessed by a family friend who was smoking at the window behind me. Other friend, who was an artist, didn’t believe on the speed that I made the drawing and said that I brought it from home already done. But the guy who was smoking behind me intervened stating that was true and showed the still lit cigarette: “I started smoking this at the same time he started the drawing”.
Looking at this drawing today (I prefer the ones with the early 1980’s distorted figures) two things come to my mind: the process of self-discovering and the beginning of the mockery of myself by the people from the art environment and those from a brazilian religion called “Espiritas”.
It was easy to mock me when in my 20s. I was too much dazed about what I was discovering inside myself, so there was no way to react against the verbal agressions. The people from the “Espirita” religion were the most disturbed by my presence. They were always trying some mental gymnastics to present a logical reason proving that I’m not the reincarnation of Michelangelo Buonarroti. Those “Espiritas” see themselves as the owners of the reincarnation and of the contact with some famous dead from past.
The fact was that after the drawing made at my grandmother’s party, I had the first clear remembrance of my life as Michelangelo Buonarroti (described on the image Cassandra’s Secret). I barely knew who was the “fucking Michelangelo”, but the remembrance left no room for misunderstandings. It was not just some intimate moment. It was THE KEY MEMORY to remember what I had done on the Sistine Ceiling. Without knowing that the Delphic Sibyl is Cassandra I would never find the proof left by my past self. 
Summarizing: almost two years before of the remembrance of Vittoria Colonna death, I already knew that I was Michelangelo himself, but I decided to keep this self-perception as a secret. The violent reaction against me (like if I was a jew in the Nazi Germany) by the people I mentioned was always reminding me that my inner thruth was an outrage to the society. Later on I would baptize this situation as the Cassandra’s Secret.
In the late 1980’s I gave up on making records of the original scheme of the Sistine Ceiling. The motive was simple: how I would explain to others what I knew? But I tryed to do so just to see the reactions. And they were always laughing at me. Those from the art environment and those from a local religion called “Espiritas” were always mocking me, my art and my “fantasies” about the Sistine Ceiling. “You cannot prove anything!!!” - They said, laughing amid mockery.
Today, I would LOVE to see those mocking me in the public space. 
Detail: the historians and researchers never found any clue from where I got inspired to portray the “Delphic Sibyl”, my Cassandra. But I found a record from Giorgio Vasari mentioning the possibility of “Delphic Sibyl” to be a reference to Cassandra. Did he hear me talking about it??? He was not an intimate friend of mine.
Português:
A execução do desenho em menos de cinco minutos foi testemunhada por um amigo da família que estava fumando na janela atrás de mim. Outro amigo, que era artista, não acreditou na velocidade em que fiz o desenho e disse que eu trouxe de casa já feito. Mas o cara que estava fumando atrás de mim interveio afirmando que era verdade e mostrou o cigarro ainda aceso: “Eu comecei a fumar este, ao mesmo tempo que ele começou o desenho”.
Olhando para este desenho hoje (eu prefiro aqueles com as figuras distorcidas do início dos anos 1980) a única coisa que vem à mente é o processo de auto-descoberta e o início do escárnio e do deboche contra mim por dois grupos de pessoas: aqueles do ambiente de arte e os “Espíritas”.
Era fácil zombar de mim quando nos meus 20 anos. Eu estava muito confuso sobre o que estava descobrindo no meu íntimo, logo, não havia como reagir às agressões verbais. Os Espíritas eram os mais perturbados com a minha presença. Sempre elaboravam alguma ginástica mental para apresentar uma razão lógica para provar que eu não sou a reencarnação de Michelangelo Buonarroti. Os Espíritas se consideram os donos da reencarnação e do contato com mortos famosos do passado.
Contudo, após o desenho feito na festa da minha avó, eu tive a primeira lembrança clara de minha vida como Michelangelo Buonarroti (descrito na imagem “O Segredo de Cassandra”). Eu mal sabia quem era a “porra do Michelangelo”, mas a lembrança não deixou espaço para mal-entendidos. Não era apenas um momento íntimo lembrado. Era a MEMÓRIA CHAVE para lembrar tudo o que eu tinha feito no teto da Capela Sistina. Sem lembrar que a Síbila de Delfos é Cassandra eu nunca iria encontrar a prova deixada pelo meu eu passado.
Resumindo: quase dois anos antes da lembrança da morte de Vittoria Colonna, eu já sabia que era o próprio Michelangelo, mas decidi manter esta auto-percepção como um segredo. A reação violenta contra mim (como se eu fosse um judeu na Alemanha nazista) pelas pessoas que mencionei estava sempre me lembrando que a minha verdade interior era uma afronta à sociedade. Mais tarde, eu iria batizar essa situação como o “Segredo da Cassandra”.
No final dos anos 1980, eu desisti de fazer registros sobre o esquema original do Teto da Capela Sistina. O motivo era simples: como eu iria explicar aos outros o que eu sabia? Mas, mesmo assim, eu tentei explicar só para ver as reações. E todos sempre terminavam rindo de mim. Aqueles do ambiente de arte e os “espíritas” debochavam de mim como sempre, ridicularizando a minha arte e minhas “fantasias” sobre o teto da Capela Sistina. “Você não tem como provar nada!!!” – diziam eles, às gargalhadas em meio a galhofa.
Hoje, eu ADORARIA de ver aqueles, do ambiente de arte e os espiritas, zombando de mim no espaço público.
Detalhe: os historiadores e pesquisadores nunca encontraram nenhuma pista sobre onde me inspirei para retratar a “Sibila de Delfos”, ou melhor, a minha Cassandra. Mas encontrei um registro de Giorgio Vasari mencionando a possibilidade da “Sibila de Delfos” vir a ser uma referência à Cassandra. Será que ele me escutou falando sobre isso??? Ele não era um amigo íntimo.

Cassandra’s Secret - O Segredo de Cassandra on Flickr.

English:
The making of the drawing in less than five minutes was witnessed by a family friend who was smoking at the window behind me. Other friend, who was an artist, didn’t believe on the speed that I made the drawing and said that I brought it from home already done. But the guy who was smoking behind me intervened stating that was true and showed the still lit cigarette: “I started smoking this at the same time he started the drawing”.

Looking at this drawing today (I prefer the ones with the early 1980’s distorted figures) two things come to my mind: the process of self-discovering and the beginning of the mockery of myself by the people from the art environment and those from a brazilian religion called “Espiritas”.

It was easy to mock me when in my 20s. I was too much dazed about what I was discovering inside myself, so there was no way to react against the verbal agressions. The people from the “Espirita” religion were the most disturbed by my presence. They were always trying some mental gymnastics to present a logical reason proving that I’m not the reincarnation of Michelangelo Buonarroti. Those “Espiritas” see themselves as the owners of the reincarnation and of the contact with some famous dead from past.

The fact was that after the drawing made at my grandmother’s party, I had the first clear remembrance of my life as Michelangelo Buonarroti (described on the image Cassandra’s Secret). I barely knew who was the “fucking Michelangelo”, but the remembrance left no room for misunderstandings. It was not just some intimate moment. It was THE KEY MEMORY to remember what I had done on the Sistine Ceiling. Without knowing that the Delphic Sibyl is Cassandra I would never find the proof left by my past self.
Summarizing: almost two years before of the remembrance of Vittoria Colonna death, I already knew that I was Michelangelo himself, but I decided to keep this self-perception as a secret. The violent reaction against me (like if I was a jew in the Nazi Germany) by the people I mentioned was always reminding me that my inner thruth was an outrage to the society. Later on I would baptize this situation as the Cassandra’s Secret.

In the late 1980’s I gave up on making records of the original scheme of the Sistine Ceiling. The motive was simple: how I would explain to others what I knew? But I tryed to do so just to see the reactions. And they were always laughing at me. Those from the art environment and those from a local religion called “Espiritas” were always mocking me, my art and my “fantasies” about the Sistine Ceiling. “You cannot prove anything!!!” - They said, laughing amid mockery.

Today, I would LOVE to see those mocking me in the public space.

Detail: the historians and researchers never found any clue from where I got inspired to portray the “Delphic Sibyl”, my Cassandra. But I found a record from Giorgio Vasari mentioning the possibility of “Delphic Sibyl” to be a reference to Cassandra. Did he hear me talking about it??? He was not an intimate friend of mine.

Português:
A execução do desenho em menos de cinco minutos foi testemunhada por um amigo da família que estava fumando na janela atrás de mim. Outro amigo, que era artista, não acreditou na velocidade em que fiz o desenho e disse que eu trouxe de casa já feito. Mas o cara que estava fumando atrás de mim interveio afirmando que era verdade e mostrou o cigarro ainda aceso: “Eu comecei a fumar este, ao mesmo tempo que ele começou o desenho”.

Olhando para este desenho hoje (eu prefiro aqueles com as figuras distorcidas do início dos anos 1980) a única coisa que vem à mente é o processo de auto-descoberta e o início do escárnio e do deboche contra mim por dois grupos de pessoas: aqueles do ambiente de arte e os “Espíritas”.

Era fácil zombar de mim quando nos meus 20 anos. Eu estava muito confuso sobre o que estava descobrindo no meu íntimo, logo, não havia como reagir às agressões verbais. Os Espíritas eram os mais perturbados com a minha presença. Sempre elaboravam alguma ginástica mental para apresentar uma razão lógica para provar que eu não sou a reencarnação de Michelangelo Buonarroti. Os Espíritas se consideram os donos da reencarnação e do contato com mortos famosos do passado.

Contudo, após o desenho feito na festa da minha avó, eu tive a primeira lembrança clara de minha vida como Michelangelo Buonarroti (descrito na imagem “O Segredo de Cassandra”). Eu mal sabia quem era a “porra do Michelangelo”, mas a lembrança não deixou espaço para mal-entendidos. Não era apenas um momento íntimo lembrado. Era a MEMÓRIA CHAVE para lembrar tudo o que eu tinha feito no teto da Capela Sistina. Sem lembrar que a Síbila de Delfos é Cassandra eu nunca iria encontrar a prova deixada pelo meu eu passado.
Resumindo: quase dois anos antes da lembrança da morte de Vittoria Colonna, eu já sabia que era o próprio Michelangelo, mas decidi manter esta auto-percepção como um segredo. A reação violenta contra mim (como se eu fosse um judeu na Alemanha nazista) pelas pessoas que mencionei estava sempre me lembrando que a minha verdade interior era uma afronta à sociedade. Mais tarde, eu iria batizar essa situação como o “Segredo da Cassandra”.

No final dos anos 1980, eu desisti de fazer registros sobre o esquema original do Teto da Capela Sistina. O motivo era simples: como eu iria explicar aos outros o que eu sabia? Mas, mesmo assim, eu tentei explicar só para ver as reações. E todos sempre terminavam rindo de mim. Aqueles do ambiente de arte e os “espíritas” debochavam de mim como sempre, ridicularizando a minha arte e minhas “fantasias” sobre o teto da Capela Sistina. “Você não tem como provar nada!!!” – diziam eles, às gargalhadas em meio a galhofa.

Hoje, eu ADORARIA de ver aqueles, do ambiente de arte e os espiritas, zombando de mim no espaço público.

Detalhe: os historiadores e pesquisadores nunca encontraram nenhuma pista sobre onde me inspirei para retratar a “Sibila de Delfos”, ou melhor, a minha Cassandra. Mas encontrei um registro de Giorgio Vasari mencionando a possibilidade da “Sibila de Delfos” vir a ser uma referência à Cassandra. Será que ele me escutou falando sobre isso??? Ele não era um amigo íntimo.

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